13 de maio | quinta-feira | 19h30
Pois a memória de um povo não pode estar por um fio...
Trata-se de um documentário precioso, porém raramente conhecido, perto dos outros trabalhos de Eduardo Coutinho – um dos mais importantes documentaristas brasileiros. O Fio da Memória foi escolhido para exibição no mês de maio, pois este é um mês em que, mais que comemorações, devem ser feitas reflexões críticas sobre o processo que levou à conquista da abolição da escravidão, ocorrida há pouco mais de 120 anos.
Como fio condutor da narrativa, o cineasta trará à tela a vida do artista Gabriel Joaquim dos Santos, nascido em 1882 no interior do Rio de Janeiro. Filho de escravos, Gabriel construiu a Casa da Flor, uma casa feita com entulhos e decorada com cacos de garrafas. Essa casa foi considerada por alguns como uma obra de arte similar às construções do arquiteto Gaudí, na Espanha.
Em vários cadernos, durante longos anos, Gabriel fez anotações cotidianas sobre sua vida e sobre o que acontecia no Brasil (com as informações que chegavam a ele). Fragmentos destes diários são narrados ao longo do documentário pelo ator Milton Gonçalves. Essas leituras permitem compreender algumas das situações vividas pelos negros no processo que se inicia após o “13 de maio”.
A comemoração pelo centenário da abolição, em 1988, é documentada por Coutinho, que dará ênfase às contradições e paradoxos dos discursos proferidos pelo povo nas ruas do Rio. São entrevistadas pessoas como: Manuel Deodoro Maciel, ex-escravo de 120 anos de idade, a família que criou a escola de samba carioca Cacique de Ramos, menores abandonados e ex-baianas de acarajé. Missas afro, rodas de candomblé e de capoeira compõem as imagens do filme e a narração de Ferreira Gullar.
Com uma narrativa audiovisual pouco linear, a obra de Coutinho proporciona, entre outras coisas, a reflexão sobre o quão incompleta ainda é a aquisição da cidadania efetiva pelos negros após a escravidão. Também leva a refletir sobre como o registro histórico da memória de um povo é fundamental para que identidades e direitos não sejam perdidos.
Após exibição haverá debate sobre o filme mediado por convidado especial.


